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terça-feira, 5 de março de 2013

Gestão de Remunerações

Na Europa

Mulher trabalha mais 59 dias para ganhar igual ao homem

 
As mulheres europeias precisam de trabalhar mais 59 dias do que os homens para conseguir ter o mesmo ordenado, revela a Comissão Europeia, segundo a qual Portugal está entre os menos discriminatórios e a Alemanha no lado oposto.


Os dados foram revelados hoje, na véspera de se assinalar mais um Dia Europeu da Igualdade Salarial, mas são com base em valores do Eurostat de 2010 e mostram que a disparidade salarial média entre homens e mulheres europeus é de 16,2%, .
"Este evento à escala da União Europeia assinala o número de dias extra que as mulheres têm de trabalhar para atingir o mesmo montante auferido pelos homens: atualmente 59 dias, o que significa que, este ano, calha a 28 de fevereiro", lê-se no comunicado da Comissão Europeia.
A disparidade salarial média de 16,2% revela uma ligeira diminuição observada nos últimos anos, já que se chegou a registar cerca de 17%. No entanto, a tendência para a diminuição pode ser explicada pelo impacto da recessão económica nos diferentes setores, nomeadamente naqueles que são dominados pelos homens, como a construção civil.
"Por conseguinte, esta diminuição não se deve de um modo generalizado a um aumento dos salários e à melhoria das condições de trabalho das mulheres. Ao mesmo tempo, a percentagem de homens a tempo parcial ou com salários mais baixos aumentou nos últimos anos", diz a Comissão Europeia.
Olhando para a tabela que acompanha os dados hoje divulgados, é possível perceber que a discrepância salarial em Portugal, em 2010, era de 12,8%, abaixo dos 16,2% da média europeia e bastante distante dos 22,3% registados na Alemanha.
De acordo com os mesmos dados, o país com a menor discrepância salarial é a Eslovénia (0,9%), logo seguida da Polónia (4,5%), da Itália (5,3%) e do Luxemburgo (8,7%). Portugal aparece em sétimo lugar.
No lado oposto aparece a Estónia como o país com a maior discrepância salarial, com 27,7%, à frente da Áustria (24%), da Alemanha (22,3%) e da Grécia (22%), sendo que os dados para a Grécia são de 2008.
A Comissão Europeia diz querer apoiar os empregadores nos seus esforços para corrigir as disparidades salariais entre homens e mulheres e dá como exemplo o projeto "A igualdade compensa", que visa sensibilizar as empresas para a questão da igualdade de género e de remuneração.
"O projeto visa contribuir para o objetivo da estratégia Europa 2020 que consiste em aumentar a taxa de emprego para 75% - pelo que é essencial uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho", adianta a Comissão Europeia.
Nesse âmbito, a Comissão vai realizar um fórum empresarial, em Bruxelas, a 21 de março, para 150 empresas de toda a Europa, ao mesmo tempo que está a preparar um relatório sobre a aplicação da diretiva europeia referente à igualdade de remuneração.

Autor: Isaltina Padrão
Data da Publicação: 27 de Fevereiro de 2013